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    A tentativa de integração das ciências com as humanidades é um desafio que permanece atual e a unificação do saber é a chave para se enfrentar a fragmentação cada vez maior do conhecimento em disciplinas especializadas.

    Há enormes perspectivas para que as ciências naturais e as humanidades, em particular as artes criativas, sejam transformadas nos dois grandes ramos do saber no século XXI. Diante desse horizonte que se avizinha, E.O. Wilson (1998) relata que "as ciências sociais continuarão se dividindo dentro de cada uma de suas disciplinas, com uma parte se entrelaçando e acompanhando a biologia, e a outra se fundindo com as humanidades. As suas disciplinas continuarão existindo, mas de forma radicalmente alterada. As humanidades, abarcando desde a filosofia e história ao raciocínio moral, religião comparativa e interpretação das artes, se aproximarão mais das ciências e se fundirão em parte com elas".

    Na educação, a busca pela unificação do conhecimento é a maneira de recuperar a estrutura ideal da unidade do saber proporcionada pelo movimento do Iluminismo à humanidade, que foi profundamente desintegrada nas últimas três décadas. Por exemplo, as universidades e faculdades americanas e latino-americanas, com raras exceções, pulverizaram seus currículos em uma mescla de disciplinas menores e cursos especializados. Embora o número médio de cursos de graduação por instituição tenha dobrado, a porcentagem de cursos obrigatórios de educação geral caiu para menos da metade. Apenas algumas universidades e faculdades exigem que os alunos façam pelo menos um curso de ciências naturais. No entanto, todo estudante do Ensino Superior deveria ser capaz de responder às seguintes perguntas: qual é a relação entre a ciência e as humanidades, qual a sua importância para o bem-estar humano e para a saúde do nosso planeta?

    Da mesma forma, todo intelectual público e líder político deveriam estar preparados para responder as perguntas referidas, porque a maioria dos problemas que se apresentam no dia-a-dia da humanidade (por exemplo: conflito étnico, escalada armamentista, superpopulação, aborto, meio ambiente, pobreza endêmica, questão agrária, produção de alimentos, planejamento de ocupação do espaço etc) não pode ser resolvida sem integrar o conhecimento das ciências naturais com o das ciências sociais e humanidades. Somente a unificação do conhecimento através das fronteiras proporcionará a visão clara do mundo, como ele realmente é, e não como visto através das lentes de ideologias ou pelos programas míopes atrelados à necessidade imediata. Porém, a grande maioria de nossos líderes políticos foi educada exclusivamente nas ciências sociais e humanidades, e tem pouco ou nenhum conhecimento das ciências naturais. Igualmente se verifica com os intelectuais públicos, os colunistas, os analistas na mídia e os gurus solucionadores de problemas. Suas melhores análises são cuidadosas, responsáveis e às vezes corretas, mas a base substantiva de sua sabedoria é fragmentada e assimétrica.

    O desenho de uma perspectiva equilibrada e simétrica só é possível através da integração entre as disciplinas e não pelo estudo delas em partes. Essa unificação não se constitui em tarefa simples, mas na medida em que os hiatos entre os grandes ramos do saber possam ser reduzidos, aumentará a diversidade. As grandes mudanças exigem enorme fôlego e o próprio Iluminismo, que é em parte a inspiração do perfil do IESAM, nunca foi um movimento unificado, assemelhando-se mais a um emaranhado de córregos deltáicos abrindo caminho através de canais tortuosos do que um rio veloz e determinado como o Rio Amazonas.
    Por oportuno, os criadores do Iluminismo:

      . Eram motivados pela sensação da descoberta;
      . Concordavam quanto ao poder da ciência de revelar um universo ordenado e compreensível e, desse modo, estabeleceram uma base duradoura para o discurso racional livre;
      . Pensavam que a perfeição dos corpos celestes, descobertos pela astronomia e física,
      . serviria de modelo para a sociedade humana;
      . Acreditavam na unidade de todos os conhecimentos, nos direitos humanos individuais, na lei natural e no progresso humano ilimitado;
      . Tentavam evitar a metafísica, embora as falhas e a incompletude de suas explicações os forçassem a praticá-la;
      . Resistiam à religião organizada;
      . Desprezavam a revelação e o dogma;
      . Toleravam o Estado como um mecanismo necessário para a ordem civil; e
      . Acreditavam que a educação e a razão correta seriam de grande benefício para a humanidade.

    A integração do conhecimento universal parece ter alcançado a fronteira que separa as ciências naturais de um lado, das humanidades e ciências sociais aplicadas, do outro. É verdade que, para a maioria dos acadêmicos, os dois domínios, comumente denominadas culturas científica e literária, ainda devem permanecer separados, com a linha divisória entre os dois domínios sendo facilmente transposta de um lado para o outro, mas ninguém sabe como traduzir a língua de um domínio naquela do outro. Não há dúvidas de que devemos tentar porque chegou à hora de reavaliar a fronteira.
    A fronteira entre as culturas científica e literária não pode mais ser vista como uma linha divisória, mas como um terreno amplo e na maior parte inexplorado aguardando incursões cooperativas de ambos. O grande desafio é como criar os pontos em comum das duas culturas. A solução contemplada pelo IESAM é a educação integrada ao meio ambiente.

    Nessa perspectiva, o outro grande desafio na pauta do século XXI é o desenvolvimento sustentado. A preservação é uma ação que visa garantir a integridade e a perenidade dos recursos naturais, partindo-se do pressuposto de que a natureza tem direitos e que os processos naturais não devem ser alterados. A conservação da natureza é entendida como o gerenciamento racional dos recursos naturais, objetivando produção contínua dos renováveis (ar, água, solo, flora e fauna) e rendimento máximo dos não-renováveis.

    A administração dos recursos naturais deve ser norteada pela gestão ambiental, sendo essencial abrigar a postura holística que envolva pelo menos aspectos de natureza econômica, administrativa, literária, política, social, filosófica, ecológica, tecnológica e ética. O conceito de recurso, que está agregado à gestão ambiental, considera qualquer componente do ambiente que pode ser usado por um organismo. Portanto, o conceito de gestão ambiental está vinculado ao princípio de utilização múltipla dos recursos naturais, que é definido com a aplicação de estratégias de planejamento para alcançar a produção máxima do uso racional dos recursos naturais de uma área específica, para os benefícios de um grupo social e de seus sucessores.

    Os danos causados aos ecossistemas pela ocupação do espaço aconteceram de diferentes formas nos países desenvolvidas e nos países em desenvolvimento. Os países desenvolvidos há muito já ocuparam seus espaços disponíveis, comprometeram grandes partes de seus recursos naturais e, direta ou indiretamente, contribuíram para o esgotamento dos recursos naturais dos países em desenvolvimento. Igualmente, não são muitos os países em desenvolvimento que ainda possuem espaço teoricamente disponível para ocupação ou condições econômicas para promovê-las em grande escala. Poucos são os países que, como o Brasil, dispõe de áreas ou de enorme diversidade biológica a ser investigada, pesquisada, aproveitada e protegida.

    Dispositivos legais relativos à educação ambiental foram incluídos na legislação ordinária e menor de quase todas as unidades da Federação através da Lei nº 6.938/81. A Constituição de 1988 assimila a legislação ordinária e estabelece, com incumbência do poder público, "promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente" (Art. 225, parágrafo I, VI). A educação ambiental deve ser intensificada, ultrapassando a escola, expandindo-se através dos meios de comunicação e da atividade comunitária. Deve incluir também a capacitação ambiental e a formação de quadros técnicos orientados para a gestão do meio ambiente.

    A absorção das diretrizes ambientais, que encaminham as questões do meio ambiente sempre visando à manutenção da saúde do nosso planeta e a melhoria da qualidade de vida do homem amazônico, pelo Sistema de Ensino Superior é responder com diversificação às exigências e expectativas da sociedade. O Instituto de Estudos Superiores da Amazônia - IESAM - busca o preenchimento dessa lacuna através da formação de recursos humanos comprometidos com as questões ambientes e capacitados para promover soluções interdisciplinares no mercado de trabalho.

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